Platão,
em sintonia com a Ideia do Bem, acreditava que o futuro governante será ético e
sábio. A contemplação da Ideia de Bem é fundamental para agir corretamente na
vida privada e pública. Assim, o político não se entusiasma com assembleias
políticas, mas se consagra à pesquisa filosófica e conceitual.
Platão sintetizou
seu próprio pensamento nas suas múltiplas dimensões no celebre mito da caverna,
que se pode interpretar ao menos em quatro níveis. No primeiro temos o nível ontológico
segundo o qual aquilo que esta dentro da caverna seria o mundo material e o que
está fora o mundo suprassensível. No segundo o nível gnosiológico segundo o
qual o interior da caverna representaria o conhecimento sensível (opinião) e o
exterior da caverna o conhecimento sensível das Ideias. No terceiro temos o nível
místico-teológico, o qual o interior e exterior representariam,
respectivamente, a esfera mundana material e a espiritual. Por fim, temos o nível
político, porque implica em retorno a caverna de quem tinha conquistado sua
liberdade, por solidariedade com os companheiros, ainda prisioneiros, e com a
finalidade de difundir a verdade.
Platão se apega
muito a esse aspecto político do mito, e partir desse ponto destaca a figura do
estadista como educador, que força o aguilhoado a empreender um caminho em
busca do sol, do sagrado, para além da zona de conforto.
Nessa linha, Platão
vai tecendo considerações sobre a formação do estadista, que deveria começar desde
criança, passando por inúmeras disciplinas e artes, preparando o individuo para
administrar seus próprios conflitos interiores, se habilitando para administrar
a polis. Daí, Platão afirmar, o
estadista é necessariamente sábio e virtuoso, além de, os verdadeiros, serem a
alma do Estado.
O governante
personifica o Estado ideal, cujo coração se destina, não a um ganancioso cesto
de moedas, mas a ilha das bem-aventuranças, o destino do herói segundo Homero.


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