terça-feira, 22 de setembro de 2015

A controvérsia entre sofistas e filósofos

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                             Sofista significa sábio, e precisamente sábio em cada um dos problemas que dizem respeito ao homem e sua posição na sociedade. A sofística constitui radical mudança da problemática filosófica, deslocando o eixo das pesquisas do cosmo para o homem. Inaugura, portanto, o período humanista da filosofia grega. Sendo, que esta nova orientação, deve-se, além das causas filosóficas, também as causas sociopolíticas, ou seja, a crise da aristocracia e a ascensão de nova classe social.
                            Os sofistas se proclamavam como possuidores da arte de educar os homens e de prepará-los para a vida política, oferecendo-lhes novas ideias e novos instrumentos. Podendo afirmar, que a sofística se agrupa em quatro expressões, a primeira geração dos grandes mestres, Protágoras, Górgias e Pródico, os Erísticos, os sofistas políticas e um grupo de sofistas ligados aos mestres, que constituíram a escola naturalista. A seguir veremos um pouco mais de cada um.
                            Os grandes mestres, podemos dizer, foram o divisor de águas no mundo antigo, sendo considerados por alguns historiadores como elo fundamental do pensamento antigo, a partir do qual, se desenvolve o pensamento grego. Protágoras é considerado o grande expoente da sofística, por ser fundador do relativismo ocidental, seu pensamento consistia no fato de “o homem é medida de todas as coisas”, entendendo que não existe um critério absoluto, ou seja, toda tese pode ser falsa ou verdadeira (antilogia), onde, com a técnica apropriada podemos tornar um argumento fraco mais forte. Assim, sábio é aquele que conhece esse relativo mais útil, mais conveniente e oportuno.
                            Já Gorgias, acreditava e pregava o niilismo, como base de seu pensamento, ou seja, o ser não existe e, portanto, nada existe. Dessa forma, para ele as palavras tem grande poder, autonomia própria, o que permite a palavra ser portadora da persuasão, crença e sugestão, temos com Górgias a retórica, a arte de persuadir.
                            Por fim, e não menos importante, temos Pródico e sua sinonímia, que consistia no fato da distinção entre vários sinônimos e na determinação precisa de suas nuanças e significados, permitindo o convencimento através de seu discurso.
                            Também, como parte da sofística, temos os Erísticos e os Sofistas-políticos, estes com certeza, grandes responsáveis pela má fama e desprezo sofridos pelos sofistas. O erísticos acreditavam ser os únicos detentores do saber e, por isso, acabaram por deturpar a antilogia de Protágoras, criando a arte da controvérsia, cujos problemas eram criados com o único intuito de serem insolúveis, levando sempre a respostas contraditórias, os famosos sofismas. Já os sofistas-políticos aplicaram à arte da dialética a política e a forçaram conquistar poder, pondo-se contra a moral e a fé tradicional de modo provocativo, dessacralizando o conceito de deuses, Crítias, chegando ao absurdo de afirma que o justo é a vantagem do mais poderoso.
                            Finalizando essa divisão sofística, temos os sofistas naturalistas, que contrapões a lei da natureza a dos homens, sendo Hipías e Antifonte, os maiores representantes dessa corrente. Para Hípias, a lei natural une os homens enquanto a lei humana, frequentemente, os divide. Nessa linha, Antifonte foi além, afirmando que a natureza é verdade enquanto a lei positiva é opinião, chegando à máxima de sustentar que, por natureza, todos os homens são iguais, inclusive gregos e bárbaros. Atingindo em cheio o preconceito dos gregos, que se consideravam superior a todos os povos.
                            Como vimos, os sofistas realizaram um deslocamento do eixo de pesquisa do cosmos para o homem, precisamente, nesse deslocamento está seu mais relevante significado histórico e filosófico. Eles abriram caminho para a filosofia moral, embora não tenham sabido alcançar seus fundamentos últimos, porque não conseguiram determinar a natureza do homem. Com efeito, era preciso que certas coisas fossem destruídas para que pudessem ser reconstruídas sobre bases novas  e sólidas, assim como era preciso que certos horizontes estreitos fossem violados para que abrissem horizontes mais amplos.


                         

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